Rindo de nervoso...

Domingo, Fevereiro 18, 2007

A boa luta dos deficientes físicos não tem como se afastar da luta, mais geral, pela inclusão social. Com o belo samba do Império Serrano, a luta pela inclusão pousa no asfalto, e é daí que ela poderá crescer, se enroscar na alma social. Veja a letra, procure ouvir o samba, torçamos pelo Império.

Dia claro
Império Serrano - Samba-Enredo 2007

Arlindo Cruz/Maurição/Aloísio Machado/ Carlos Senna/ João Bosco

Enredo: "Ser diferente é normal: o Império Serrano faz a diferença no carnaval"

eu quero ver
o amor florescer
ser diferente é normal
e o império taí
pra levantar seu astral
se liga no meu carnaval

serrinha vem pedir respeito
temos que olhar de outro jeito
quem nasceu diferente
e venceu preconceito
a gente tem que admirar
harmonizar pra ser feliz
diferença social, pra quê?
tá na cara que a beleza
está nos olhos de quem vê
romantismo irradia energia pra viver
nesse mundo onde tudo é relativo
minha escola é meu motivo
meu maior prazer!

a história do samba mudou
bateria diferente, olha o toque do agogô
no primeiro destaque e na comissão
as novidades verde-e-branco, meu irmão

difícil
conviver na adversidade
com arte ser eficiente
fazer da pintura sua liberdade
fazer esculturas usando a paixão
feitiço de poeta invade o coração
divino é o poder da criação
eu pergunto a você
será que existe?
limite entre a loucura e a razão

posted by Paulim Comentarios: 00:30

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007


posted by Paulim Comentarios: 02:02

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

"É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO"
(ALBERT EINSTEIN)
posted by Paulim Comentarios: 22:59

Há uns tempos, ao entrar no estacionamento do Carrefour, aqui em Beagá, vejo uma viatura da Polícia Militar parada de qualquer jeito, ocupando duas vagas reservadas a deficientes físicos. Custei a estacionar ali ao lado, foi difícil descer a cadeira de rodas, segui com o humor já deteriorado. Eles devem ter tido uma razão relevante para tanto abuso, pensei, tentando ser compreensivo. Decidi, como costumo fazer, dar um toque nos policiais, pedindo cooperação etc. Procuro daqui, procuro dali, e lá estavam os dois, felizes e sorridentes, na fila da loteria, cartãozinho da mega-sena na mão.
Soltei os cachorros, disse aos dois que eles eram irresponsáveis e folgados. A turma em volta ficou me dando uma força mais ou menos discreta. Os dois gastaram o susto na ironia, me chamando de nervosinho, rindo debochado. Virei a cadeira, fui cuidar das minhas compras. De vez em quando, alguém me batia no ombro: - você está certo! Dou a maior força!
E esse não é mais do que mero exemplo do que vivemos no dia a dia. As vagas reservadas para deficientes são a alegria de alguns espertalhões, no geral os mais covardes. Sentem-se, ao puxar ali o freio de mão, poderosos, alguém na vida, esquecem-se até dos verdadeiros merdas que são, egoístas, viciados em competição.
Por isso, sempre admiro alguém que saiba resistir e protestar, em bom estilo, como na foto abaixo (da qual não conheço a origem ou a localização).


posted by Paulim Comentarios: 00:27

Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

A gentileza e a boa música que, por décadas, ecoaram de um piano romântico silenciaram-se. De luto. Morreu hoje o grande pianista Pedrinho Mattar.

posted by Paulim Comentarios: 23:40

Ah, o amor
Sem dúvida, nunca se viu fidelidade igual, nem carinho que durasse tanto. E que os românticos durmam em paz: existe a paixão eterna.
No norte da Itália, arqueólogos encontraram os esqueletos abraçados de duas pessoas, possivelmente jovens. Detalhe: eles estão enterrados ali há 5.000 anos. Devidamente comprovado, é o nosso mais antigo caso de amor.


posted by Paulim Comentarios: 23:27

Como costumo fazer, republico abaixo a matéria escrita para a última edição do sempre glorioso COMETA:


A gênese de um eco-chato

para o amigo Júlio Mourão que,
desde sempre, me falava da natureza

Cá com meus botões, de há muito acho janeiro um mês esquisito, desconjuntado. Não se encaixa mais no ano recém findo, nem prenuncia o ano que, sem convicção maior, tenta se iniciar. É em janeiro que o homem urbano, e se crendo moderno, transfere suas ansiedades e seus engarrafamentos para a praia da moda, ou para onde o dinheiro minguado consiga financiar uma semaninha de sobrevivência diferente. Houve um tempo - os mais jovens, com razão, poderão não crer! - em que a classe média, então bem miúda, usava seus janeiros em gozo de férias longas, buscando paz, repouso e silêncio. À beira-mar, ou nos grotões desse país sem tamanho. Os programas prediletos eram dar prejuízos na casa da parentada, até gastar as saudades acumuladas, ou promover verdadeiras mudanças para casas alugadas com grande antecedência, na bagagem o inalienável direito a roupas, colchonetes, panelas, cachorro e papagaio.

Se os janeiros são mesmo esquisitos, esse que acaba de escorrer calendário abaixo beirou a aberração. Os humanos até tentaram inflar os ares catastróficos, mas quem deu o tom de ira irrefreável foi a mamãe natureza. Bush, perceptivo que só ele, desconfiou ter errado ao invadir e massacrar o Iraque, as pessoas voltaram uma vez mais a se ocupar com o ócio ordinário do Big Brother, e, nas searas palacianas, o presidente Lula e o governador Aecinho acabaram de tomar posse e saíram em férias (tente explicar isso a um hipotético marciano, ou escandinavo). A nova gestão federal começou sem começar, e a mídia abriu as portas carentes de assunto para a ferocidade de eleições dentro do Congresso Nacional, ópera bufa que a população acompanhou boquiaberta, tentando imaginar o que tanto comovia aqueles homens e mulheres tão encantados consigo próprios, e com seus irreconhecíveis interesses.

Mas, foi nos seus estertores que esse janeiro regurgitou sua bomba mais assustadora, e plena de significados após o mês onde as catástrofes naturais se atropelaram no noticiário. Os humanos, representados por cientistas convocados a Paris pela ONU, resumiram nosso pânico, já pressentido e anunciado, num relatório de 20 páginas sobre o aquecimento global. Previsões pessimistas, e quase consensuais, o que não é comum no competitivo meio científico, sobre a extensão dos danos infligidos ao ecossistema que nos gesta e acolhe. Danos irreversíveis, ao menos em prazos viáveis para horizontes humanos, e que imporão à história relatos de tempos imensamente difíceis e dolorosos. Uma das tarefas será recorrer a todo acervo que o homem acumulou em sua curtíssima trajetória na superfície desse belíssimo planeta azul, tentando, com reservas desconhecidas de inteligência e generosidade, minorar as conseqüências das tragédias anunciadas.

Outra tarefa, não menos complexa e urgente, será tentar compreender, e desestimular com firmeza, o sentimento perverso de setores das últimas gerações, inclusive a minha, com poderes reais ou imaginários sobre a vida coletiva e, mais grave, sobre o futuro. É como se eles tivessem decidido, em gesto extremo de arrogância, levar a vida consigo, melhor dizendo, a possibilidade de vida. Nas caras cínicas de seus mais destacados arautos, lê-se algo assim: "sem minha presença, pra quê a vida", ou "se morro em breve, que sentido pode ter a civilização e o amanhã", talvez "sou ou não sou a vida e o mundo". Mundo, pobre mundo, não temamos por ele. Temamos pelo desaparecimento dos humanos, a natureza tendo esgotado sua paciência e optado pelo caminho mais "inteligente" e confortável de recompor a vida na Terra sem a presença de seu predador mais feroz. O Universo nem notará.

Ainda não sou, nem tinha planos de ser, um eco-chato (essa tão difundida versão, rasa e barata, da militância ecológica), mas não estou vendo outra saída. Se ainda me restam energia e competência, tentarei me treinar com presteza nas artes da eco-chatura, optando pelo estilo terror-catastrofista, enquanto não acedo a desempenhos mais dignos e duradouros. Ter consciência hoje é pouco, parece ter passado da hora, o que vai se impor, com alguma chance de eficácia, talvez seja uma mistura de consciência e medo, talvez sejam sentimentos torturantes do tipo ¿passei a vida no sacrifício, juntando riqueza, e meus descendentes não terão Terra para desfrutá-la¿, ¿ah, meu bebê, mal deu seu primeiro grito, e o mundo parece lhe cair sobre a moleira¿. Como dar uma mínima chance às legiões de adolescentes que, como meu filho, contemplam o futuro, que se achega veloz, sem segurança de chão firme para o próximo passo? Como arrancar desse redemoinho de notícias e temores ações políticas e educativas inadiáveis e eficientes? Como erigir um mínimo acordo planetário, na tentativa de esticar os prazos de uma sobrevivência suportável para nossa espécie frágil e evolutivamente acomodada (seria?). Muita gente boa está na luta, dar uma força é o mínimo que nos compete.

E, como se por ironia do destino, esse janeiro viu ainda desaparecer um ícone da modernidade, e da impaciência que invadiu nossas existências. Lá se foi o responsável pelos, dizem muitos, 3 minutos que abalaram o mundo. Morreu o Sr. Momofuku Ando, aquele mesmo que, em 1958, criou e difundiu o Miojo.

posted by Paulim Comentarios: 22:17

O SESI decidiu inovar em termos de planejamento familiar. Senão, vejamos:

posted by Paulim Comentarios: 22:08

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