Rindo de nervoso...

Segunda-feira, Maio 14, 2007

O Cometa, onde continuo colaborando, fez um número especial (com 50 mil exemplares) para ser distribuído nos bares de Beagá durante a promoção, de sucesso garantido, "Comida di Buteco". Deixei lá o textinho que transcrevo abaixo:

De porta em porta

Aos tantos amigos, alguns
hoje já mortos, que me
carregaram nas escadas dos
bares da vida, e muitas
outras que tais.


Boteco é assunto transcendente em boca de belorizontino, fizemos da qualidade e da simpatia de nossos botecos uma lenda, e adoramos proclamá-la, mais que isso, nos obrigamos a cultivá-la. Não existe relato de história passada por aqui, na tinta do poeta ou na boca fácil do vulgo, que não inclua seu exemplar: do onisciente Bar do Ponto dos primórdios, aos balcões onde mal cabe um par de cotovelos no Mercado Central dos fígados acebolados; dos copos sujos do baixo e do médio meretrícios, aos incontáveis barzinhos da moda que dão fundo biográfico aos lazeres de nossa classe média. Existem botecos onde o melhor é a conversa, existem outros onde ouvir boa música parece regra, e existem até aqueles onde se encontra paz para partilhar silêncios e testas franzidas, olhares perdidos em copos pela metade.

Diz-se que os que habitam esse território ornado por montanhas feridas precisam de razões relevantes, quase nobres, para não ocuparem, com disciplinada constância, um bom lugar no boteco de escolha. Pensando assim, de sopapo, me ocorreram três dessas razões: falta de dinheiro, crise de desamor pelas surpresas da vida, e barreiras arquitetônicas e urbanísticas, que é a razão que ora mais me interessa. Às duas primeiras razões, com as quais quase todos um dia conviveram, dirijo umas palavrinhas.

Lamento a morte covarde do fiado e do pendura, verdadeiras instituições da convivência cordial que expunham, para constrangimento ou gáudio dos assuntos da freguesia leal, nas cadernetas ensebadas ou nos papeizinhos espetados, depoimentos vivos sobre as penúrias ou as falhas de caráter de algum parceiro de copo. Quem os matou foi a banca, com seus tristes e indispensáveis cartõezinhos de plástico ¿ débito ou crédito, senhor? -, que transferiram tais assuntos para seus cofres e sigilos inescrutáveis. Da razão ligada ao desamor pela vida, não cabe aqui tratar. Paradoxalmente, é assunto bom para mesa de bar, amainadas a mágoa e a dor.

Mas, sei dessas coisas aí mais por ouvir contar, pois os botecos de aqui, em sua grande maioria, hoje são cruéis com os de minha laia. Já não sei em quantos deles tentei aportar e fui expulso pelas impossibilidades ambientais, rabicho entre as pernas. Andando com muletas até à beira dos 50 anos de idade, numa Beagá amena por boa parte desse tempo, apesar dos percalços pude transitar de modo razoável pelos botecos da cidade. Em especial nas décadas de 1960 e 1970, foi na efervescência de suas mesas que desenhei o principal de minha vida, de meus rumos, e o perfil de meus amigos.

Hoje, regredido para cadeirante há já uns 8 ou 10 anos, no que deveria ser o gozo da aposentadoria, só vi as coisas se complicarem. Os amigos pensam em te convocar, mas sabem que naquele boteco, ou naquele outro do torresmo perfeito, cadeira de rodas não chega, e não entra.

Proponho um raciocínio de ordem capitalista, pragmático (sem fricotes humanitários ou cidadãos, posto que isso parece irritar os donos do negócio e as autoridades concernidas): devagarinho, os deficientes vêm acedendo às classes consumidoras, por outro lado vemos os velhos rejeitando a morte, e, ao esticar a vida, reabastecendo com freqüência as legiões de deficientes. Estamos sendo empurrados para os shoppings centers e derivados, espaços onde não floresceram botecos de qualidade, talvez por alguma incompatibilidade inata entre o beberico e a conversa mansa, de um lado, e as tsunamis de homens e mulheres ensacolados, e crianças urrando seus mais baixos desejos, de outro.

Pensando bem, o acesso adequado a botecos de bom nível merecia ser tratado como uma questão básica de cidadania, direito inalienável. Ainda comemoraremos essa idéia, então vitoriosa, num boteco de boa bebida, bons petiscos e bons acessos.

posted by Paulim Comentarios: 23:16

Quinta-feira, Março 08, 2007

Mulheres do mundo, uni-vos!
Só vocês reacenderão as esperanças nesse mundinho egoísta e triste.

Viva o Dia Internacional da Mulher

posted by Paulim Comentarios: 22:49

Domingo, Fevereiro 18, 2007

A boa luta dos deficientes físicos não tem como se afastar da luta, mais geral, pela inclusão social. Com o belo samba do Império Serrano, a luta pela inclusão pousa no asfalto, e é daí que ela poderá crescer, se enroscar na alma social. Veja a letra, procure ouvir o samba, torçamos pelo Império.

Dia claro
Império Serrano - Samba-Enredo 2007

Arlindo Cruz/Maurição/Aloísio Machado/ Carlos Senna/ João Bosco

Enredo: "Ser diferente é normal: o Império Serrano faz a diferença no carnaval"

eu quero ver
o amor florescer
ser diferente é normal
e o império taí
pra levantar seu astral
se liga no meu carnaval

serrinha vem pedir respeito
temos que olhar de outro jeito
quem nasceu diferente
e venceu preconceito
a gente tem que admirar
harmonizar pra ser feliz
diferença social, pra quê?
tá na cara que a beleza
está nos olhos de quem vê
romantismo irradia energia pra viver
nesse mundo onde tudo é relativo
minha escola é meu motivo
meu maior prazer!

a história do samba mudou
bateria diferente, olha o toque do agogô
no primeiro destaque e na comissão
as novidades verde-e-branco, meu irmão

difícil
conviver na adversidade
com arte ser eficiente
fazer da pintura sua liberdade
fazer esculturas usando a paixão
feitiço de poeta invade o coração
divino é o poder da criação
eu pergunto a você
será que existe?
limite entre a loucura e a razão

posted by Paulim Comentarios: 00:30

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007


posted by Paulim Comentarios: 02:02

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

"É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO"
(ALBERT EINSTEIN)
posted by Paulim Comentarios: 22:59

Há uns tempos, ao entrar no estacionamento do Carrefour, aqui em Beagá, vejo uma viatura da Polícia Militar parada de qualquer jeito, ocupando duas vagas reservadas a deficientes físicos. Custei a estacionar ali ao lado, foi difícil descer a cadeira de rodas, segui com o humor já deteriorado. Eles devem ter tido uma razão relevante para tanto abuso, pensei, tentando ser compreensivo. Decidi, como costumo fazer, dar um toque nos policiais, pedindo cooperação etc. Procuro daqui, procuro dali, e lá estavam os dois, felizes e sorridentes, na fila da loteria, cartãozinho da mega-sena na mão.
Soltei os cachorros, disse aos dois que eles eram irresponsáveis e folgados. A turma em volta ficou me dando uma força mais ou menos discreta. Os dois gastaram o susto na ironia, me chamando de nervosinho, rindo debochado. Virei a cadeira, fui cuidar das minhas compras. De vez em quando, alguém me batia no ombro: - você está certo! Dou a maior força!
E esse não é mais do que mero exemplo do que vivemos no dia a dia. As vagas reservadas para deficientes são a alegria de alguns espertalhões, no geral os mais covardes. Sentem-se, ao puxar ali o freio de mão, poderosos, alguém na vida, esquecem-se até dos verdadeiros merdas que são, egoístas, viciados em competição.
Por isso, sempre admiro alguém que saiba resistir e protestar, em bom estilo, como na foto abaixo (da qual não conheço a origem ou a localização).


posted by Paulim Comentarios: 00:27

Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

A gentileza e a boa música que, por décadas, ecoaram de um piano romântico silenciaram-se. De luto. Morreu hoje o grande pianista Pedrinho Mattar.

posted by Paulim Comentarios: 23:40

Ah, o amor
Sem dúvida, nunca se viu fidelidade igual, nem carinho que durasse tanto. E que os românticos durmam em paz: existe a paixão eterna.
No norte da Itália, arqueólogos encontraram os esqueletos abraçados de duas pessoas, possivelmente jovens. Detalhe: eles estão enterrados ali há 5.000 anos. Devidamente comprovado, é o nosso mais antigo caso de amor.


posted by Paulim Comentarios: 23:27

Como costumo fazer, republico abaixo a matéria escrita para a última edição do sempre glorioso COMETA:


A gênese de um eco-chato

para o amigo Júlio Mourão que,
desde sempre, me falava da natureza

Cá com meus botões, de há muito acho janeiro um mês esquisito, desconjuntado. Não se encaixa mais no ano recém findo, nem prenuncia o ano que, sem convicção maior, tenta se iniciar. É em janeiro que o homem urbano, e se crendo moderno, transfere suas ansiedades e seus engarrafamentos para a praia da moda, ou para onde o dinheiro minguado consiga financiar uma semaninha de sobrevivência diferente. Houve um tempo - os mais jovens, com razão, poderão não crer! - em que a classe média, então bem miúda, usava seus janeiros em gozo de férias longas, buscando paz, repouso e silêncio. À beira-mar, ou nos grotões desse país sem tamanho. Os programas prediletos eram dar prejuízos na casa da parentada, até gastar as saudades acumuladas, ou promover verdadeiras mudanças para casas alugadas com grande antecedência, na bagagem o inalienável direito a roupas, colchonetes, panelas, cachorro e papagaio.

Se os janeiros são mesmo esquisitos, esse que acaba de escorrer calendário abaixo beirou a aberração. Os humanos até tentaram inflar os ares catastróficos, mas quem deu o tom de ira irrefreável foi a mamãe natureza. Bush, perceptivo que só ele, desconfiou ter errado ao invadir e massacrar o Iraque, as pessoas voltaram uma vez mais a se ocupar com o ócio ordinário do Big Brother, e, nas searas palacianas, o presidente Lula e o governador Aecinho acabaram de tomar posse e saíram em férias (tente explicar isso a um hipotético marciano, ou escandinavo). A nova gestão federal começou sem começar, e a mídia abriu as portas carentes de assunto para a ferocidade de eleições dentro do Congresso Nacional, ópera bufa que a população acompanhou boquiaberta, tentando imaginar o que tanto comovia aqueles homens e mulheres tão encantados consigo próprios, e com seus irreconhecíveis interesses.

Mas, foi nos seus estertores que esse janeiro regurgitou sua bomba mais assustadora, e plena de significados após o mês onde as catástrofes naturais se atropelaram no noticiário. Os humanos, representados por cientistas convocados a Paris pela ONU, resumiram nosso pânico, já pressentido e anunciado, num relatório de 20 páginas sobre o aquecimento global. Previsões pessimistas, e quase consensuais, o que não é comum no competitivo meio científico, sobre a extensão dos danos infligidos ao ecossistema que nos gesta e acolhe. Danos irreversíveis, ao menos em prazos viáveis para horizontes humanos, e que imporão à história relatos de tempos imensamente difíceis e dolorosos. Uma das tarefas será recorrer a todo acervo que o homem acumulou em sua curtíssima trajetória na superfície desse belíssimo planeta azul, tentando, com reservas desconhecidas de inteligência e generosidade, minorar as conseqüências das tragédias anunciadas.

Outra tarefa, não menos complexa e urgente, será tentar compreender, e desestimular com firmeza, o sentimento perverso de setores das últimas gerações, inclusive a minha, com poderes reais ou imaginários sobre a vida coletiva e, mais grave, sobre o futuro. É como se eles tivessem decidido, em gesto extremo de arrogância, levar a vida consigo, melhor dizendo, a possibilidade de vida. Nas caras cínicas de seus mais destacados arautos, lê-se algo assim: "sem minha presença, pra quê a vida", ou "se morro em breve, que sentido pode ter a civilização e o amanhã", talvez "sou ou não sou a vida e o mundo". Mundo, pobre mundo, não temamos por ele. Temamos pelo desaparecimento dos humanos, a natureza tendo esgotado sua paciência e optado pelo caminho mais "inteligente" e confortável de recompor a vida na Terra sem a presença de seu predador mais feroz. O Universo nem notará.

Ainda não sou, nem tinha planos de ser, um eco-chato (essa tão difundida versão, rasa e barata, da militância ecológica), mas não estou vendo outra saída. Se ainda me restam energia e competência, tentarei me treinar com presteza nas artes da eco-chatura, optando pelo estilo terror-catastrofista, enquanto não acedo a desempenhos mais dignos e duradouros. Ter consciência hoje é pouco, parece ter passado da hora, o que vai se impor, com alguma chance de eficácia, talvez seja uma mistura de consciência e medo, talvez sejam sentimentos torturantes do tipo ¿passei a vida no sacrifício, juntando riqueza, e meus descendentes não terão Terra para desfrutá-la¿, ¿ah, meu bebê, mal deu seu primeiro grito, e o mundo parece lhe cair sobre a moleira¿. Como dar uma mínima chance às legiões de adolescentes que, como meu filho, contemplam o futuro, que se achega veloz, sem segurança de chão firme para o próximo passo? Como arrancar desse redemoinho de notícias e temores ações políticas e educativas inadiáveis e eficientes? Como erigir um mínimo acordo planetário, na tentativa de esticar os prazos de uma sobrevivência suportável para nossa espécie frágil e evolutivamente acomodada (seria?). Muita gente boa está na luta, dar uma força é o mínimo que nos compete.

E, como se por ironia do destino, esse janeiro viu ainda desaparecer um ícone da modernidade, e da impaciência que invadiu nossas existências. Lá se foi o responsável pelos, dizem muitos, 3 minutos que abalaram o mundo. Morreu o Sr. Momofuku Ando, aquele mesmo que, em 1958, criou e difundiu o Miojo.

posted by Paulim Comentarios: 22:17

O SESI decidiu inovar em termos de planejamento familiar. Senão, vejamos:

posted by Paulim Comentarios: 22:08

Sábado, Agosto 26, 2006

A velha peleja do sonho

p/ Cometa

Tal e qual Francenildo, Francelino deu as costas a seu Piauí e desceu Brasil a dentro em busca de tempo e recanto mais alvissareiros. Embora filhos da mesma pátria descuidada, nossos personagens têm pouco mais em comum que a terra de origem e a certeza de estarem ambos indexados nos registros de nossa recente história política.

O caseiro Francenildo, dito Nildo, apareceu como a pedra no caminho da mal simulada tranqüilidade republicana. Dependendo do ponto de vista, era o homem certo no lugar certo, ou o homem errado no lugar errado, ou não, como resumiria em brilhos o sexagenário Caetano. Sacudiu o tronco do poder central, espalhou fruta bichada pra tudo que é canto. Vendo de hoje, parece que sua integridade pouco habitual acabou produzindo mais calor que luz, isso a se julgar pelo cenário quase idêntico que vai reaparecendo quando findas as tempestades. Mesmo se o gesto de Nildo já tiver descido de vez pelo ralo de nossa amnésia coletiva, mesmo se a impunidade insistir em emprestar suas cores ao presente, ao menos, na certa, os gerenciadores dos poderes políticos por um tempo se farão mais prudentes quando da deleitosa apropriação dos bens e da paciência públicos.

Já Francelino, ao que sei, aportou nas Geraes em busca de estudo e vida nova. Por aqui casou-se, ganhou inscrição no que de ainda tradicional havia na família mineira, e graduou-se na matreirice que dava então personalidade singular à política local. Fez longa carreira legislativa, governou o povo que lhe havia adotado, e, enquanto mimava os militares golpistas, dirigiu a Arena, que ele afirmava ser o maior partido do ocidente, nem mais, nem menos. Tem aguçado faro quando o assunto é poder, mas não acredito que isso tenha algo a ver com o fato dele, nos dias de hoje, ocupar-se com as honrarias de sogro da Primeira Irmã do Estado. Não sou candidato a seu biógrafo, a lembrança que ora lhe devoto se deve à questão fundamental que um dia, em passado não recente, ele formulou. Questão que promove seu encontro inconsciente e misterioso com o conterrâneo Nildo, questão que sintetiza nossa perplexidade perene: "que país é esse?"

Que melancolia é essa que não desgruda da cara brasileira, ainda agora quando se anuncia a reta final de um processo eleitoral determinante, que precisaria ser percebido com a importância que deveras tem? Que fatalismo é esse de pré-eleger entre nós, com ritos de devoção, presidente e governador, e fingir que o assunto saiu de pauta? Onde enterraram as velhas causas, nossas utopias? Onde esconderam o fogo encantado que incendeia os olhos de cada nova juventude, acendendo a determinação e a raiva indispensáveis quando se quer forjar qualquer futuro que valha a pena?

Que país é esse? Porque a indagação de Francelino, que se mereceria ora velha e surrada, continua central no universo pobre e bruto de Francenildo? Quem, como o PT e alguns antigos aliados, brotou sobre as ruínas da ditadura militar com aptidão e energia para denunciar as contradições e vícios de uma sociedade tão injusta; quem, como o PT e alguns antigos aliados, desenvolveu, em incontáveis instâncias, uma pedagogia política capaz de enfrentar tal questão e facilitar as efervescências da consciência cidadã; quem, como o PT e alguns antigos aliados, ainda ontem falava em futuro, agora parece agarrar-se, estranhamente deliciado, aos hábitos do poder e de seus tesouros.

Espalha-se, sobre essa arrancada do processo eleitoral, uma recorrente e escandalosa negação do que quer que se tente assemelhar a divergências ideológicas; conversa tida como boa, prestigiada, é a que se ocupa de competências individuais e choques de gestão. As trajetórias e as metas políticas, ao que parece, foram se fazendo indissociáveis, viessem seus agentes políticos do que um dia se chamou de progressistas, ou do que se chamou de conservadores: forças que se opunham, que tiravam sentido dessa oposição, e que um dia ousaram se denominar esquerda e direita.

E se o caro leitor, provável eleitor no outubro que se avizinha, abordar esse nosso tempo se deixando envolver por generosas causas, ou por projetos de sociedade que não rejeite seus sonhos, ah, então é bom se preparar para a trombada com muralhas de um cinismo, digamos assim, pós-moderno. É que, talvez angustiados pelo imobilismo de suas indescritíveis alianças, parceiros de ainda ontem não têm poupado sarcasmo quando do enfrentamento contra aqueles que continuam recorrendo às análises e ao discurso que, há pouco, partilhavam em quase consenso. Mas, como dizem bons mestres do pensar, o caminhar da vida e da história se faz também assim. Enriquecedor. Felizmente.

Paulinho Saturnino Figueiredo
Agosto 2006

posted by Paulim Comentarios: 19:25

Sábado, Junho 17, 2006

Já ando carente de ídolos e musos, e ainda tenho que engolir a morte do Bussunda, gênio da raça, que eu julgava tão imortal quanto seu humor. Nem os regimentos da Globo conseguiram secar todo o tempero de seu olhar anárquico. Lula e Ronaldo terão a caridade de um refresco. Picaretas, mesquinhos e medíocres em geral dormirão ao menos um pouquinho mais relaxados.
posted by Paulim Comentarios: 20:49

Quarta-feira, Abril 19, 2006

Minha Belo Horizonte tem como símbolo a Serra do Curral, onde se desenha seu perfil. A serra é linda, vista de cá... já vista do lado da MBR...

posted by Paulim Comentarios: 22:39

Quarta-feira, Março 22, 2006

O rompimento foi mais singelo do que imaginei. Preencher e assinar um formulário, entregar a carteirinha, e sair com o peito apertado por uma dor profundamente individual e inexplicável, dor que não é forte, é larga. Quem sofre por sonho perdido, na certa andou idealizando, traindo o real, seja lá o que ele for. 25 anos de uma relação onde dei mais amor que dedicação. Mas, chegou a hora. Política não é religião. Era uma necessidade nessa altura da vida e da história. Hoje solicitei minha desfiliação dos quadros do PT, o Partido dos Trabalhadores que impulsionou a atividade política, e aperfeiçoou a vida democrática no país. Coisas do passado. Agora, melancólico, contemplo o comprovante da separação jogado na mesa de trabalho.
posted by Paulim Comentarios: 23:53

Terça-feira, Março 21, 2006

Precisando de um clínico geral? Um bom generalista se mostra na amplidão de seus conhecimentos. A consulta vale por um check-up.


posted by Paulim Comentarios: 11:51

Terça-feira, Março 14, 2006

Ricardo Bezerra de Menezes, torcedor, caiu no fosso do Morumbi, SP, no Corinthians X São Paulo do domingo passado. É triste, mas seria meio banal se não fosse algo episódico, digno do melhor humor negro. Ele estava com a perna lesionada e imobilizada por aparelho ortopédico metálico, e assistia o jogo em uma área reservada a deficientes. Uma equipe de TV surgiu fazendo matéria sobre as condições para os deficientes físicos nos estádios. Ricardo foi fazer gracinha para as câmeras, subiu na proteção e estatelou-se no fosso. Saiu de ambulância, com suspeita de fraturas múltiplas, e não há de lhe faltar tempo para ser engraçadinho.
posted by Paulim Comentarios: 01:14

Segunda-feira, Março 13, 2006



Um rei no açoite. Um ator genial em momento de glória. Hoje, na estréia da novela Sinhá Moça, o velho pai José morreu no tronco do fazendeiro poderoso, observado pelo silêncio de seu povo. Seu corpo exalava por cada poro a trágica dor da escravidão. Sussurrou a saudade do céu e das estrelas de sua África, calou qualquer lamento que desse gozo a seu algoz. Morreu com a dignidade, quase mítica, reservada a nossos heróis. Milton Gonçalves cravou, na história da rica dramaturgia da TV brasileira, um de seus momentos mais belos e emocionantes. Inesquecível, sobreviverá em todas as antologias. Eu, que costumo reservar minhas lágrimas para o horário nobre, hoje desmanchei-me mais cedo.
posted by Paulim Comentarios: 23:22

Terça-feira, Março 07, 2006

Quando a gente tromba com a burocracia, fala ou escreve umas verdades, com freqüência desaforadas, depois costuma vir um vazio, uma sensação de inutilidade, de que aquilo vai chegar em lugar nenhum, só servirá para provocar umas risadas internas. Pois é, descobri que, ao menos para mim, a internet parece um ótimo lugar para se postar tais embates cidadãos, tornar público cópias de nossos motivos e argumentos, mesmo que o eventual efeito pareça microscópico. E, assim sendo, apresento cópia do email que acabo de enviar ao INSS, após um longo e inglório dia de esgrima com o seu site:

"Senhores, um erro básico de programação está levando quem tenta nova inscrição no INSS à irritação e perda de tempo. A empregada doméstica que contratamos foi estimulada a tirar sua primeira Carteira de Trabalho e Previdência Social. De posse da carteira, propus fazer sua inscrição no INSS. Abri o formulário online, e logo vi que teria problemas. O formulário no site, no ítem CTPS, só aceita 7 (sete) dígitos, e o cursor pula automaticamente para a próxima casa (no caso, nº de série). O problema é que a recente geração de CTPS estão sendo expedidas com 8 (oito) dígitos, ou seja, chegou-se à casa dos dez milhões, e a DataPrev fingiu que não era com ela. A partir das 14 horas de ontem, optei pelo Prevfone 0800-78-0191, e isso só aumentou meu pesadelo. Foram mais de quinze tentativas de contato, todas frustradas. Pensei em ligar de madrugada, e o fiz à 1:00 hs dessa 3ª feira. Depois de longa espera, fui atendido por um homem gentil, mas que não conseguia compreender meu problema, e me reencaminhava para procedimentos já feitos. Quando entendeu, pediu um minuto, e logo me deu a sentença: o sistema caiu, o senhor volte a ligar daqui a umas duas horas. Agradeceu minha compreensão, e desligou. É insuportável tentar ser um cidadão correto no Brasil. Como tenho que dormir e levantar para o trabalho, não poderei aceitar a sugestão boêmia do jovem atendente. A data limite para o pagamento do INSS é dia 15, e, portanto, preciso conseguir a inscrição antes disso. Solicito a sugestão de um caminho viável para obtê-la, mas informo que, por me deslocar em cadeira de rodas, não me será possível enfrentar filas nos postos. Terei que condicionar o emprego à informalidade, e o governo ficará sem esse número para suas decantadas estatísticas. Agradeço antecipadamente".
posted by Paulim Comentarios: 02:22

Quinta-feira, Março 02, 2006

A gente se conheceu nos tempos daquela infância vivida no bucolismo do bairro do Carmo. Morávamos a trezentos, talvez quatrocentos metros um do outro, e freqüentávamos turmas diferentes. Numa Belo Horizonte provinciana, encontros, a maioria não programados, foram consolidando essa amizade.

Na mesma Fafich-UFMG nos tornamos sociólogos. Era o início da década de 70 do século passado (xiiii!!!), ditos anos de chumbo, e ele se formou um ano antes de mim. Nos encontrávamos vez ou outra, depois, na Europa, ambos estudando e aprendendo um pouco de mundo. Voltamos os dois, em momentos e trilhas diferentes, e fomos professores da mesma Fafich, tão querida, ele nas Ciências Sociais, eu na Comunicação Social. Estranhamente, os dois tivemos a aposentadoria um pouco antecipada por razões de saúde.

Foi a internet que refez nossos contatos, de modo mais intenso. Era raro o dia, nos últimos anos, onde não trocávamos ao menos uma mensagenzinha, mesmo que uma piada besta, uma pitada de auto-ajuda, uma imagem qualquer, por vezes menos familiar. Estranhei seu silêncio nos últimos dias, inclusive porque ele tinha o hábito de enviar email comunicando com antecedência seus eventuais sumiços. Dessa vez, ele se esqueceu.

Era início da noite quando o Júlio, amigo comum, telefonou perguntando: porque você não foi ao enterro do Chico Jacob? De lá pra cá fiquei aqui, meio paradão, pensando nas coisas da vida, o peito meio apertado.

posted by Paulim Comentarios: 23:12

Domingo, Fevereiro 26, 2006


posted by Paulim Comentarios: 18:20

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